quarta-feira, 9 de maio de 2012

5 Milhões

Criança, quando eu visitava minha avó esse era o valor que ela anunciava quando colocava a mão no bolso para me tirar algum dinheiro.

Como o Real já era a moeda corrente no país, 5 milhões era muito dinheiro... e o que eu poderia comprar com todo ele?

Toda a loja de brinquedos, talvez?

Minha escola.. para que eu pudesse fecha-la em seguida?

Melhor ainda! Gastar tudo em Kinder Ovo! Haaaa.. seriam 5 milhões desses ovinhos vez vermelho e branco.

MAS... como não é fácil ser ingênuo, o terceiro anúncio era o seguinte...

“Tome fio.. 5 milhões de CRUZEIROS que a vó guardou para você comprar um doce“.

E, de repente.. 5 milhões de Kinder Ovos era Kinder Ovo nenhum, durante o tempo do último anúncio e o saque da nota de 5 Reais do bolso do “penhórzinho“.

Verdade seja dita, esse valor era uma fortuna para uma criança de 9 anos naquela época. E talvez, ao anunciar os 5 milhões pela força do hábito que a moeda antiga havia deixado, ela.. sem querer... predizia que os 5 reais já fariam seu neto se sentir o próprio Tio Patinhas.

Enfim...

Acho que essa é minha lembrança mais marcante da vózinha que hoje partiu descansar, depois de quase 100 anos habitando este “mundo véio sem porteira“, como diria meu avô.

Mas o dia não pede uma bandeira negra de luto. Pede uma bandeira branca, de paz... A paz de acompanhar o "olhar para trás" desta senhora no final de sua vida e ver uma história de conquista, mesmo tendo se deparado com muitos percalços durante o caminho.

E, tendo acompanhado de perto estes últimos anos de minha avó, posso afirmar com propriedade que se podia tirar uma lição de cada dia vivido desta senhora...

... a vida urge ser vivida (velha expressão). E enquanto tantos lutam para mantê-la, outros tantos.. a desperdiçam!

Independente de idade, saúde, condição financeira e outras variáveis.. todos estamos igualmente suscetíveis a morte. E, mesmo sabendo disso, parece que tem gente que apenas passa o tempo a espera dela.

Facebookeando agora pouco com meu amigo Rafael Cembranelli, recebi a seguinte mensagem...

"Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."
(A frase ainda carece de fonte meu xará! haha)

Isso me economiza um bom exercício de pensamento, pois traduz muito do que se passa em minha cabeça hoje.

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Post dedicado a minha mãe, Tereza Lobo, que além de super mãe e super avó, também foi super filha..

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ouvindo Elvis...

Hoje acordei com uma música do Mr. Presley na cabeça. O hit tem um repetitivo...

"A little less conversation, a little more action please!"
(Um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação, por favor!)

Com isso em mente, pensei um pouco sobre o quanto tenho parado para refletir sobre algumas opções e, consequentemente, sobre algumas escolhas. E não pude deixar de perceber o quanto tempo tenho gasto inutilmente (!) por achar que tudo nesta vida é importante.

Bom, não precisamos ir muito a fundo em nossas lembranças para percebermos que.. as coisas não são bem assim...

Como Elvis canta, a vida deve prática.

Então, criei "esquema de praticidade" (que raios é isso?!?!?!).

É assim...

...já que Jesus é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6) - então as decisões sinceras e que tenham  vida como consequência, serão escolhas "automáticas".

Acho que é um esquema BEM simples, mas não simplório. Com o tempo, vamos descobrir se vai dar certo...


"Grab your coat and let's start walking." 
(Pegue seu casaco e vamos caminhando.)  

terça-feira, 6 de março de 2012

Cuide Bem

"Cuide bem do seu amor
Seja quem for.
(...)
Cada segundo, cada momento, cada instante
É quase eterno, passa devagar
Se o seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar.


Os Paralamas do Sucesso

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pseudocomunhão

Ainda que a sociedade moderna continuamente nos prometa acesso a uma comunidade, trata-se de uma comunidade centrada no culto ao sucesso profissional. Sentimos que estamos batendo à sua porta quando a primeira pergunta que nos indagam em uma festa é "o que você faz?" - e a resposta determinará se seremos bem acolhidos ou se nos abandonarão ao relento. Nessas reuniões competitivas e pseudocomunais, poucos de nossos atributos valem como moeda para comprar a boa vontade de estranhos. O que importa, acima de tudo, é o que está em nossos cartões de visita, e aqueles que optaram por passar a vida cuidando dos filhos, escrevendo poesia ou jardinando ficarão com a certeza de que foram contra a corrente dos costumes dominantes dos poderosos e que merecem ser devidamente marginalizados.

Com esse nível de discriminação, não causa surpresa que muitos de nós decidam se atirar com tudo nas carreiras. Focar na vida profissional em detrimento de quase todo o resto é uma estratégia bastante plausível em um mundo que aceita as conquistas no ambiente de trabalho como a principal moeda para assegurar não apenas os meios financeiros de sobreviver fisicamente, mas a atenção de que necessitamos para ter êxito do ponto de vista psicológico.


Religião para ateus (pág. 26) / Alain de Botton; tradução de Vitor Paolozzi - Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011


domingo, 15 de maio de 2011

Pedido ao Tempo

Peço que largue mão de passar tão rápido aos fins de semana. Domingo a noite, que quando aponta, já anuncia que a segunda começa presa por uma corrente, que arrasta o peso das coisas que se fazem por obrigação.

De querer dar tanto valor a saudade, fazendo com que cada segundo longe de quem se gosta pareça tanto...  tanto... tempo.

Pode o tempo não querer ouvir o meu pedido, e dar de ombros com a minha insatisfação.



O que me força a ser mesquinho e, só de sacanagem (parafraseando Elisa Lucinda), agir diferente.



Vou fazer com que minha manhã de segunda-feira seja diferente! EU vou dar de ombros ao que alimenta sua "vagarosidade".

Vou procurar oportunidades em cada coisa que eu fizer, por mais banal ou "desinteressante" que possa parecer.

Dar o devido valor a vida, assumindo a minha responsabilidade de estar inteiro em cada instante.



Esteja preparado para isso! Estou deixando de me eximir da minha culpa em ficar aguardando que você se multiplique.

Sua chacota está com os dias contados!

Vou aprender o que puder com Pollyana.



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Não sei porque escrevi isso. Foi inspirado por tanta coisa.

Meus amigos e minha família que me dão tanta saudade...
Este bendito fim de semana que passa rápido...
Ao Caetano Veloso, do qual estão tentando me fazer um ouvinte (não é Carla?)...
A Elisa Lucinda com seu manifesto particular...
E ao Machado de Assis, que escreveu

"Nós matamos o tempo, mas ele nos enterra."


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P.S.:  Por favor, fique a vontade de complementar ou alterar o texto. Para isso, utilize os comentários!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mãe

Engraçado... minha mãe não sabe mexer nem em computador e, consequentemente, muito menos "nessa tal da" Internet. Então, ela não faz ideia de que eu uso esse bocadinho de bytes para fazer uma singela homenagem para ela.

Sou um passarinho que já voou (aproveitando a expressão da tal "Síndrome do Ninho Vazio", pela qual as mães passam quando os filhos e as filhas saem de casa). Moro em outra cidade por conta de trabalho e estudo mas, por morar relativamente próximo a minha cidade natal, acabo voltando (praticamente) todo fim de semana para (minha verdadeira) casa.

Dois dias são muito pouco para tanta coisa deixada de lado durante a semana (útil) longe. Afazeres, amigos.. o estudo e trabalho que nos acompanham na mala...

Muitas e muitas vezes eu volto, mas num ritmo tão acelerado de querer fazer todo o possível num curto espaço de tempo, que acabo não prestando atenção nela..

...que aguarda ansiosamente para me abraçar no sábado de manhã (e que, tenho certeza, faz todo barulho possível para que eu acorde cedo, rsrs);
...que "finge que está tudo bem", independente dos problemas que ela esteja passando, para que eu não fique "me preocupando à toa";
...que mesmo "dura ou com grana" faz questão de preparar minha comida predileta no almoço!
...que, mesmo querendo atenção, não cobra isso.

Acho que esta música traduz um pouco do que a D. Terezinha sente por ser minha mãe (e eu consigo ouvir ela cantando):



Mãe...

..eu vou parar um pouco mais, só para ficar te olhando. Afinal, não sei por quanto tempo eu vou poder ter a oportunidade de contemplar toda a sua beleza;
..eu vou pedir mais pelo seu carinho e sempre, porque ele é único! Assim como você é única;
..NUNCA vou deixar nossos laços se desatarem! NUNCA.. E sei que isso depende (totalmente) de seus 3 filhos serem UNIDOS;
... você para mim também é tudo: MINHA TERRA, MEU CÉU e MEU MAR... Te amo!

Feliz dia das mães.. e que todos os dias possamos fazer nossas mães felizes...

terça-feira, 19 de abril de 2011

O problema é que o gatinho sempre acaba virando gato (IV)



Calafrio. Um calafrio temperado com angústia. Acho que é o que melhor define o que eu senti depois de ler um trecho (que separei aqui) do livro “A cura de Schopenhauer”.

(O título deste post é o mesmo que leva o capítulo 13 do referido livro)

Nunca havia reparado de como oriento as ações de hoje com muitos“se”, “quando” ou “um dia”.

“Não vou fazer isso hoje, porque SE amanhã algo for diferente... não vai dar certo.”

“Não vou fazer isso hoje, porque QUANDO eu tiver 'aquilo'...será melhor.”

“Não vou fazer isso hoje. UM DIA.. haaa... um dia eu faço.”

Como deixei escapar tanta vida por não tirar a cabeça do que ainda está por viver? Hoje ainda, ainda pela leitura do mesmo livro, tomei contato com a seguinte frase:

"O que não é concedido pela razão não deve ser dominado pela razão"
Terêncio


Talvez seja essa tão descabida razão que me faça colocar a vida em perspectiva. Não! O problema não é colocar a vida em perspectiva, mas como fiz isso até hoje (e espero não fazer mais). Até então, iluminei minhas decisões com as perspectivas de quem viveu uma vida inteira, de quem já está na última página do livro e tem como direcionador a história que já foi escrita. Como se cada plano futuro já fosse algo concreto, esperando apenas que a vida trate de transformá-lo em fato e, consequentemente, em história.

Doravante vou colocar minha perspectiva no hoje! Na história que está incompleta e num futuro que não se pode prever. Tornar o futuro obscuro pode fazer com que eu concentre meu olhar no presente. Sinto que isto pode dar mais legitimidade a cada instante vivido.

A mensagem que eu gostaria de registrar neste espaço já foi escrita. Juntamente com a leitura a qual me referi, o vídeo disposto abaixo também foi inspirador destas palavras. Para mim, o vídeo foi uma lição.

Por fim, sempre considerei os textos deste blog inacabados, por serem meus exercícios pessoais de vida. Porém, este é diferente. Este é “mais inacabado”, pois se trata de um exercício de uma nova vida, que começa a ser desbravada.



P.S.: Este post é dedicado a duas pessoas:

Matheus Marcon, pela indicação do vídeo "99 Balões" e do filme "Eu, meu irmão e nossa namorada" (Planeje ser surpreendido); e

Mariana Moreno, pela indicação e empréstimo do livro "A cura de Schupenhauer".